Reencarnação

Paulo Cesar Conceição

Centro Espírita Mensageiros da Paz- Francisco Beltrão

A reencarnação, entendida como o retorno de uma alma que já viveu na Terra, em uma nova existência, por meio de um novo corpo, é um dos pilares bases da doutrina espírita, codificada em 1857. Porém, sua origem se perde nos primórdios dos tempos, sendo adotada por muitas outras vertentes religiosas, em especial as orientais.

Por meio dela é possível explicar situações de crianças que nascem com síndromes das mais diversas, da riqueza avara de uns e a miséria extrema de outros, pois em caso contrário seria difícil de entender a justiça divina, que daria muito a uns e penalizaria a outros.

Aceita por muitos povos, a reencarnação possui embasamento científico na atualidade pelas pesquisas realizadas por estudiosos respeitáveis como Ian Stevenson, a partir das lembranças de vidas anteriores que surgem naturalmente entre pessoas dos mais diferentes povos.

Necessária para a evolução do individuo por permitir resgatar em novas existências os erros cometidos nas anteriores e, aprender a cada novo (re)nascimento, possibilita ao espírito evoluir sempre, pois jamais poderá ele retrogradar.

A aceitação dessa realidade era tão natural ao tempo de Cristo que o diálogo deste com Nicodemos, imortalizado pelo Evangelista João (3:3), demonstra a importância da reencarnação, pois afirma Jesus: Na verdade, na verdade te digo que não pode ver o Reino de Deus aquele que não nascer de novo”.

Como espíritos imortais avançamos na senda do bem a cada nova reencarnação até que tenhamos aprendido a lição sublime do amor e modificado o nosso comportamento intimo. Assim, nascer, morrer, renascer ainda, progredir sempre, tal é a lei, expressando a justiça divina.

Mas nada disso seria possível, sem a aceitação do sublime exercício de ser mãe, pelo espírito encarnado sob a corporificação feminina. Daí o extremo carinho e respeito que devemos adotar para com todas aquelas que aceitam propiciar ao espírito imortal um novo corpo, onde possa, pelo exercício cotidiano, burilar seu comportamento e evoluir, orientado, sempre que possível, pelos exemplos perenes da conduta de seus pais.

Urge, portanto, a cada espírito reencarnado construir dentro de si, a fortaleza moral que permitirá suportar os desares da vida cotidiana e galgar à pátria espiritual em condições superiores àquela que possuía quando aqui chegou, permitindo, assim, a possibilidade de almejar, um dia, por seus méritos evoluir a mundos superiores.

Fonte: KARDEC, Alan, O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capitulo 4. Ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo.