Sociedade Espírita Fraternidade

Hilário Antônio Fantinel Júnior

Ainda que pareça absurda, a pergunta se apresenta como a grande referência para aquilo que buscamos – nossa definição, a significação verdadeira da nossa realidade.

Não será incomum que, na tentativa de responder a questão, as respostas ou as definições convirjam para aquilo que imaginamos poderiam nos representar, de ordinário, nosso nome, nossa profissão, nossa nacionalidade, etc.

Mas não é dessa superficialidade, dessa aparência temporal que estamos falando, não é essa a resposta pretendida pela pergunta. Busca ela a definição daquilo que se é realmente, daquilo que se era ontem, que se é hoje e se será amanhã, nossa significação permanente.

O exercício racional de sobrepujar a matéria e ainda manter a noção de ser, de existir realmente se nos apresenta difícil, pois nos acostumamos a uma leitura material da vida e, a cada existência, sofremos intrínseca e extrinsecamente essa pressão, que nos faz ou impedir que descubramos a verdade sobre nós mesmos ou, que – ainda que temporariamente – esqueçamo-nos de quem ou daquilo que somos.

Sem promovermos qualquer atropelo e nos apegando a tudo aquilo que a nossa razão humana já foi capaz de descobrir ou ao menos supor, poderíamos, desde já, sentenciarmos que: Somos algo ou alguma coisa que vai além de nosso corpo, de nossa figura física, enfim, só sei o que não sou: Não sou meu corpo.

A partir deste ponto, somente aqueles que, novamente pelo raciocínio, recepcionarem a ideia de algo que embora não material, não tangível, AINDA ASSIM EXISTA, é que conseguirão prosseguir por essa estrada cada vez mais luminosa que conduz às respostas e à verdade.

Sem tal anuência, estará o indivíduo fadado à estagnação de ideias e ideais ou mesmo, ao retrocesso ao materialismo, como uma espécie de fuga daquilo que se descobriu, é a ilustração do abismo no cotidiano terreno, aquele local de onde (imaginam) não se pode sair.

Mas é importante, melhor, mais satisfatório, não construir abismos e seguir o ciclo da vida, o ciclo do progresso pelas nossas próprias descobertas, o ciclo da reforma, da melhora, do aformoseamento, aprimoramento intelectual, sentimental, moral.

Seguindo essa força progressista e gozando da satisfação de descobrir, descobrindo-nos, chegaremos a tão almejada descoberta: a de que SOMOS um TODO que é eterno, que é definitivo e que, de tempos em tempos, possuímos uma PARTE, que reflete aquilo que é temporário, oportuno, efêmero.

Esse todo eterno, imortal precisou de um conceito e fomos definidos espíritos, energia pensante, seres inteligentes da criação, com ou sem matéria, neste ou no outro plano, aptos a experienciar e com isso, sublimarmo-nos em direção a DEUS! Sigamos!