AUTOENFRENTAMENTO – SUPERANDO COMPLEXOS E PROJEÇÕES DO EGO

Valéria Azevedo

Sociedade Espírita Fraternidade

Alguns indivíduos desenvolvem comportamentos fóbicos, dissimulados, recalcados, aversivos e hostis no contato social. Tem pensamentos invasivos e repetitivos, de caráter ameaçador ou paranoico. Se caracterizam por timidez excessiva gerando ansiedade, ou medo de quaisquer situações de exposição social por fantasias de ser ridicularizado ou vítima de ocorrências vexatórias e humilhantes. É como se a pessoa não pudesse falhar. Isto acaba levando à conduta de esquiva e evitamento com tendência ao isolacionismo e recusa a convites, seja na área social ou até profissional.

Desta forma é necessário o autoconhecimento. Como diz o espírito Joanna de Ângelis: aceitando-se como é e aprimorando-se sem cessar; sem julgar-se ou justificar-se, sem se acusar, nem se culpar. Apenas descobrindo-se. Se não fizermos este esforço para alcançar o autoconhecimento, seremos vítimas do nosso próprio ego, preso nas teias invisíveis das projeções. Indivíduos que, portadores das mais diversas debilidades morais, examinam o próximo tal qual em espelho refletindo as suas feridas íntimas. São criaturas que apontam os erros dos outros com enorme facilidade, retratando seus defeitos e vícios, transformando-se em críticos impiedosos dos seus semelhantes, censores rigorosos das falhas alheias que lhe estão ínsitas nas almas perturbadas.

É necessário um esforço contínuo para educarmos a nossa observação a fim de que possamos exaltar o lado edificante e bom de cada criatura, percebendo que o erro e o defeito são estágio passageiro decorrente do grau evolutivo de cada um. Que, embora não concordamos com ele, com o erro, o sucesso de um relacionamento baseia-se na amizade sincera e desinteressada, que promova a melhoria íntima, de ambos, sempre confiando na providência divina.

Somos um espírito imortal que, viajor do tempo, traz em seu íntimo, insculpidos a ferro e fogo por experiências dolorosas e desabonadoras os males que se refletem em comportamentos doentios.

Em nossas experiências reencarnatórias fizemos mau uso do livre arbítrio e sofremos as mais inomináveis torturas e humilhações que são, hoje, responsáveis por nossos medos infundados e covardia moral (não nos posicionarmos, ficarmos “em cima do muro”).

E é, novamente, por medo deste autoenfrentamento, que afivelamos à face uma máscara de beatitude, de perfeição e lisura incompatíveis com nossa condição de espíritos imperfeitos moradores de um planeta de provas e expiações.

A dissimulação, ainda que inconsciente, não serve para nada. Nos estaciona, nos paralisa pela culpa de nos sabermos impostores gerando uma angústia maior ainda que promove mais complexos, mais fobias, mais queixumes, ódios e segregação social.

É imperiosa a busca do autoconhecimento.

Jesus falou “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

Os grandes de nossa história nunca se consideraram mais do que eram.

Sejamos, sim, aqueles que buscam ser o melhor exemplo possível de sobriedade, de dignidade, de cristandade enfim. Mas à noite, a sós com nossos pensamentos, busquemos nos refolhos da alma a causa para nossas fobias, para nossos complexos e, especialmente para nossas projeções que no fazem fiscais severos dos defeitos alheios…

Esta retirada dos véus íntimos a cada noite nos preparará o despertar para uma manhã de glória, onde encontraremos, finalmente, nosso Cristo interno que nos credenciará para os altos píncaros da felicidade eterna.

Texto baseado no livro: Atitudes Renovadas – Divaldo Pereira Franco pelo espírito Joanna de Ângelis.