Fonte da Imagem: Blog do Gilberto Godoy

Incalculável é o número das criaturas que chegam à idade adulta mantendo os padrões psicológicos das faixas infantis.

Inumeráveis são os que operam com atitudes tais, capazes de causar espanto aos mais tolerantes, não obstante a idade física a pesar-lhes sobre os ombros.

Salvo os casos de disfunções psicopatológicas, a recomendarem atendimentos específicos tanto da Medicina quanto da Psicologia respeitáveis, a questão se localiza nas relações domésticas, enraizada nos processos educacionais mal elaborados.

Em grande número de casos, esses desacertos da educação familiar redundam nos problemas supracitados das perturbações de ordem psicológica ou psiquiátrica.

Considerando os graves episódios de expiações, em que indivíduos completamente incapazes, levando seus filhos nos braços, fazem-nos resgatar infortunados pretéritos de desatenção à Vida, grande contingente de pais, de tutores, de educadores, se faz caracterizar pela preguiça, que os acomoda a situações que lhes requereriam ação lúcida e atenciosa, no que se refere ao conduzimento dos filhos ou educandos quaisquer.

Há muitos educadores desatentos, justificando que não desejam se aborrecer ou amofinar, deixando, por isso, tudo como está para verem como é que ficará. E, quando vêem, o que vêem é lastimável sob todos os aspectos.

Outros educadores alegam que não contam com formação escolar, não cursaram faculdades, a fim de algo oferecerem aos que se acham sob sua responsabilidade.

Surgem muitos outros que, perante o dever de educar, asseveram que esperarão que cresçam seus pequenos, para que os possam orientar educacionalmente.

Não se discute a validade dos conhecimentos intelectuais bem elaborados, numa cabeça coroada pelo bom senso. Ninguém seria tolo de afirmar a invalidade do conhecimento para cooperar nos compromissos da alma humana.

O que não se pode confundir é a titulação escolar de qualquer nível com o amadurecimento psicológico para educar.

Educar, em qualquer tempo, representará o legado de orientação a fim de que os seres se transformem, burilando as conquistas já efetuadas, ao mesmo tempo em que impulsiona às conquistas ainda por fazer.

No lar, na forja doméstica dos caracteres, pais e mães ou tutores, podem e devem estabelecer programas educacionais, tranquilos e sábios, para que homenageiem a vida terrena com a dedicação vivenciada diante dos educandos.

Qual o educador que, em casa, nos diálogos singelos e francos ou nos momentos de trocas de afetos com seus rebentos, pequenos ou jovens, não lhes poderá falar da impropriedade de se arrancar plantas das searas alheias, como flores de jardins públicos? No primeiro caso, pelo respeito ao patrimônio privado, no outro, pelo respeito ao que é de todos.

Não será difícil ao orientador doméstico, quando se aplica em conhecer o comportamento dos filhos ou outros agregados que estejam sob suas mãos, dizer-lhes o quanto é indelicado e rude rabiscar e danificar os bancos dos veículos coletivos ou as placas de orientação das estradas, ou ainda, pichar muros e paredes dos prédios dos outros. No primeiro caso, pelo respeito ao que é público, isso é, pertencente a todos, e, no outro caso, pelo respeito devido ao trabalho alheio.

Não custa orientar para o respeito a tudo e a todos, no empenho educacional para a formação do homem de bem, vivendo no mundo.

Não será impossível pra os pais que têm a compreensão de que preparam seus filhos para a vida em sociedade, logo, para a nobre atuação no seio da comunidade mais ampla, o imperativo de mostrar aos educandos que não se atiram papéis ou detritos vários nos domínios públicos, como ruas, praças, calçadas, ensinando-lhes a buscar os depósitos de lixo, ainda que se afirme que o local já está sujo. Nosso esforço educativo estará reforçando a valorização da limpeza, da higiene. Se algum lugar estiver sujo e nos colocarmos a aumentar a imundície, isso indicará que o que prezamos é a sujeira.

A atuação do educador doméstico é de primordial importância para a formação sociomoral do ser. Abdicar dessa oportunidade será jogar por terra valioso ensejo de melhorar o nível da nossa sociedade, a começar do nosso lar.

Pais e professores, ou qualquer pessoa amadurecida, esclarecida, que preze o bem e o bom, mesmo sem diplomas e titulações, é tempo de incrementar-se o processo renovador da sua comunidade social, sem o que a vida humana, onde vocês estiverem, sofrerá perdas muitas vezes lastimáveis, por descuido de sua parte.

Iniciando-se no âmago do lar, deve a educação, na sua informal atuação, construir os padrões de sanidade que todos esperamos, e que exige apenas que tenhamos a coragem para dar o primeiro passo.

(Brito, Thereza de. Vereda familiar / ditado pelo espírito de Thereza de Brito; psicografado por José Raul Teixeira.

– Niterói, RJ: Fráter, 2004. págs 79 a 81.)