Fonte da Imagem: UOL Estilo da Vida

É muito comum vermos a quantidade de equívocos que envolvem a tarefa da educação, no lar, plasmados, paradoxalmente, em nome do bem-querer, promovendo problemas para o futuro.

Nesse capítulo, achamos o hábito, curioso e despropositado de muitos pais, de pouparem seus filhos da atividade cooperadora nos quefazeres domésticos.

Não nos passará pela mente, em realidade, que os pequenos ou jovens devam, quando não houver necessidade, ser postos para que realizem trabalhos pesados, que lhes absorvam as horas de estudo e aprimoramento de si mesmos.

Invocamos as possibilidades de aprenderem a arte de auxiliar, de prestar colaboração, o que, a cada dia, se torna mais raro.

São muitas as mães que se transformam em serviçais dos seus filhos, não para que cresçam, mas, para que se encharquem nos caldos de terrível egoísmo, sem que aprendam, nos dons do amor, a se fazerem úteis.

É sem conta o número de pais que adoecem, nos trabalhos exigentes, dia-a-dia, não para que seus filhos se iluminem, mas, para que não se apartem dos bancos de praça e jardins em colóquios intermináveis com a indolência, que programa, em suas urdiduras, a viciação e a criminalidade.

Onde o problema de ensinar-se aos pequenos a esticar a cama donde se levantaram?

Onde a dificuldade de fazer-lhes atender a essa ou àquela pequena higiene doméstica?

Onde a impossibilidade de que aprendam a pregar um botão ou costurar uma bainha?

Como ignorar que é importante para os mocinhos lavar ou passar uma peça de vestuário, para si ou para alguém que precise?

Por que tanto constrangimento em ensinar ao jovem, rapaz ou mocinha, a passar um café ou preparar um arroz, considerando-se a hora da cooperação fraterna?

Identificamos muitos filhos que se tornaram incapazes pelos caminhos, em razão da displicência ou descaso dos que lhes deviam educação.

Não os deveremos preparar para os tempos de facilidade e abastança, mas para os dias de necessidade e carência, de modo que a incapacidade não os mutile, desnecessariamente.

Pais e mães, reflitam no fato de que criamos nossos rebentos para a vivência no mundo, na sociedade. Não só de cultura das belas letras deveremos cumulá-los, porém, deveremos ofertar-lhes esses pequenos-grandes auxílios da casa, para que, no lar dos pais ou nos próprios amanhã, estejam galardoados pela possibilidade de cooperar.

Evoquemos o Divino Mestre, na carpintaria do pai, cooperado.

Pensemos no aprendizado que tenhamos feito nós, ao lado dos pais dedicados, orientadores, sem deixarem de ser carinhosos.

Reflitamos nos tempos difíceis do mundo, e preparemos nossos filhos para que os enfrentem melhor dotados.

Coloquemos a luz do Evangelho nos seus corações sem deixarmos, contudo, de lhes ocuparmos as mãos, ainda que seja nos pequenos afazeres domésticos ou da oficina, pois ajudar no trabalho do bem, onde quer que ele apareça, é também evangelização.