Fonte da Imagem: Ideia de Marketing

Ocasiões existem em que se torna necessário fazer uma pausa para avaliar a nossa postura à frente da existência, nos limites do nosso caminho, quanto na esfera do lar.

No mundo, é costume tornarmos-nos mundanos em qualquer parada para a verificação do como ou do quanto vimos realizando, capaz de dificultar a nossa própria marcha.

Embora possamos ter conhecimentos vários de técnicas psicológicas ou psicossociais, utilizadas no conjunto da propaganda, articuladas por meio dos veículos de comunicação de massa, continuamos no mesmo diapasão de inconsciência relativamente à nossa adesão e aceitação de tais iscas.

A arte da propaganda que, claramente, cada dia mais se aperfeiçoa, mais encanta, traz, por isso mesmo, a magia capaz de atuar sobre o psiquismo das massas, colhidas passivamente em suas poltronas de acomodação mental.

Temos que pensar, indubitavelmente, na oportunidade de progresso que Deus nos concede. Devemos estar atentos às mil e uma fontes de atração que o mundo oferece, com o fim de acordar nosso discernimento.

Em “O Livro dos Espíritos”, o grande mestre Allan Kardec apresenta notável pergunta aos Sempre Vivos sobre o motivo de o Criador haver posto nas coisas materiais o visco atrativo, a tentação por consegui-las (*). Os nobres Emissários do Além disseram-lhe que as tentações serviriam para provocar a criatura para o cumprimento da sua missão no mundo. A partir daí, à medida que se desenvolve seu raciocínio, vai compreendendo a importância dos excessos. Se o homem não tivesse o desejo de conseguir isso ou aquilo, certamente, não se interessaria por trabalhar, uma vez que na Terra o labor quotidiano tem o sabor de castigo e o cheiro de padecimento.

Vemos, dessa forma, que o anseio de possuir, de comprar, de obter é perfeitamente natural, pois atende aos projetos progressistas que os Céus engendram para os seres humanos.

Entretanto, bastante distinto de adquirir, de comprar, será, sem dúvida, o adquirir indefinidamente e o comprar sem razão.

Quantas são as pessoas que compram por comprar, gastam por gastar, sem qualquer consideração para com a própria vida, sem qualquer reflexão acerca de utilidade que poderia patrocinar para terceiros, do próprio lar ou da relação social?!

Quantos que adquirem para exibir poder econômico ou pujança social, sem qualquer necessidade mais nobre?

Tantos que sofrem, obsessivamente, a compulsão psiquiátrica para o consumo inveterado, sem razão reflexiva.

Ninguém está impedido de consumir, de obter pequenos supérfluos, atendendo ao gosto pela vida e às possibilidades que ela consente. Contudo, o excesso, conforme afirma o livro acima referido, certamente será a geratriz de tormentos sem conta, nos caminhos terrenos.

Alguém poderá banquetear-se nos melhores restaurantes, gastando o próprio dinheiro como queira. Porém, se a seu lado algum irmão padece fome, sem contar com sua cooperação amiga, estará consignado o crime de lesa-fraternidade.

Alguém poderá viver na mais suntuosa mansão, no palácio mais exuberante, rodeado por todas as facilidades que o progresso da tecnologia permita, aplicando suas riquezas mais grandiosas. Todavia, se na sua estrada comum houver um ser que não tenha o mínimo teto para albergar-se, nisso estará assinalado o egoísmo infelicitador, demarcado com perspectivas expiatórias os passos futuros.

Alguém terá condições de vestir-se com as mais formosas sedas, com os mais custosos linhos, nos galarins da moda mais atual, empregando seus ganhos abundantes. Porém, se no circuito da sua existência algum irmão estiver ao frio, tiritante ou desnudo, sem um pano qualquer que o resguarde, aí estará o crime da indiferença, responsável por dores morais dantescas.

Pensamos, então, que o problema não será ter isso ou aquilo. O problema é o modo como as coisas são tidas, obtidas e mantidas.

É importante que consigamos viver com pouco ou com muito, sem nos escravizarmos aos gastos improcedentes, frutos da ilusão da propaganda, aquisições que logo estarão em nossas gavetas, nos cantos de armários, nos porões, sem utilidade.

Quando descubra que o seu lar, atrelado ao consumismo tresloucado, ajuntou coisas e coisas e coisas que não são usadas, faça-as passar a outras mãos, com a sua vibração de fraternidade, é certo, mas, também, com o compromisso de você realizar o esforço da educação das suas despesas, sem que se faça sovina, porém, responsável multiplicador dos bens divinos que, por agora, você administra.

(Brito, Thereza de. Vereda familiar / ditado pelo espírito de Thereza de Brito; psicografado por José Raul Teixeira. –

Niterói, RJ: Fráter, 2001. págs 83 a 85.)